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Pavilhão Desportivo da Escola Básica de Miragaia, recuperado e pronto para receber os desejosos alunos

por Tamara Gomes e Rafael Rodrigues (alunos do 9ºE)
 
Após um longo período de inutilização, devido a uma inundação, o pavilhão desportivo da Escola Básica de Miragaia encontra-se neste momento completamente recuperado e pronto para receber, novamente, as aulas de Ed. Fisíca e outras práticas desportivas que ali se realizam, tornando assim possível um regresso à normalidade, no que respeita à prática desportiva neste estabelecimento de ensino do Agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas.


1871, Rodrigues de Freitas encontra o Liceu Nacional do Porto (ou vice-versa)

pelo Dr. Luís Grosso Correia (Professor | Investigador do Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais (FLUP). CIIE - Centro de Investigação e Intervenção Educativas (FPCEUP)

Ilustração de Ana Catarina Silva (aluna do 6ºF da EBSRF)

A presente reflexão sobre a relação entre José Joaquim Rodrigues de Freitas e o liceu da cidade do Porto que, em 1910, o adotou como patrono, o então Liceu da 2ª circunscrição escolar do Porto, tem como arco temporal o ano de 1871 e o de 1932.
Numa cidade dominada pela avassaladora oferta privada de ensino secundário-liceal (por disciplinas avulsas ministradas em instituições privadas ou por professores independentes) e uma deprimida quantidade de alunos matriculados na única escola da rede oficial instalada na cidade do Porto, os professores do Liceu Nacional do Porto vão encetar um peculiar processo autónomo de reflexão, investigação e avaliação sobre o sentido da sua missão sócio-educativa e pedagógica a partir da década de 1860. Este processo de consolidação da identidade específica do Liceu no quadro do subsistema escolar pós-primário português inicia-se internamente com os trabalhos de comissões especializadas de avaliação dos manuais a adotar pelo Liceu (as atas do Conselho Escolar deste período são férteis em relatórios de avaliação muito criteriosos e minuciosos), continuará num nível de complexidade reflexiva superior em 1869, a partir do repto lançado aos liceus pelo Decreto de 31 de Dezembro de 1868, e atingirá um dos pontos de maior visibilidade pública em 1871.

Neste ano, o Conselho Escolar insurge-se contra as contradições das autoridades centrais em matérias de reforma do ensino liceal: o Decreto de 31 de Dezembro de 1868 fora suspenso pela Lei de 2 de Setembro de 1869 e uma nova reforma dos liceus surge pelo Decreto de 22 de Outubro de 1870 – os respetivos plano e regulamento foram publicados pelos Decretos de 18 e 25 de Novembro de 1870. O Conselho do Liceu Nacional do Porto produz uma análise exaustiva, crítica e contundente dos diplomas aprovados em 1870 (chegando o seu nível de análise às unidades curriculares), ao mesmo tempo que se insurgia contra a suspensão do diploma reformador de 1868. Os decretos de 1870 vieram gorar e defraudar os trabalhos e esforços que o Liceu tinha desenvolvido, ao longo de mais de um ano e meio, com várias sessões extraordinárias do Conselho Escolar realizadas à noite, com vista a contribuir, de forma informada, para a reforma do ensino secundário proposta pelo diploma de 1868. Os docentes do Conselho do Liceu abraçaram o pedido lançado pela Portaria de 19 de Outubro de 1869 e realizaram inúmeras consultas, estudos e reflexões, alguns, por exemplo, sobre a organização liceal da Alemanha e da França, comprovados pelas extensas actas do Conselho Escolar de 1869 a 1871. Os resultados deste esforço científico dos docentes do Liceu foram plasmados no Relatorio e bases para a reforma da Instrucção secundaria dos lyceus segundo o voto do Lyceu Nacional do Porto, publicado em 1869. Neste documento, o Liceu procede à fundamentação, ponto por ponto, do relatório que sustenta as propostas adotadas, apresenta as bases para a reforma sob o formato de diploma legal, com capítulos temáticos, artigos, pontos e parágrafos e remata com a identificação dos catorze professores e dos votos que declararam separados das propostas do relatório e dos artigos das Bases aprovados pelo Conselho (nove casos). Parece ter havido um grande consenso em torno dos princípios organizativos do documento, em virtude de as declarações de voto derrotado pronunciavam-se sobre distintas propostas e artigos contidas no documento.

Com o objetivo de fazer ouvir, junto da tutela, a sua opinião sobre o indesejado curso da organização escolar e pedagógica causadas pelos diplomas aprovados em 1870, o Conselho do Liceu remeteu o referido Relatório pelos mecanismos administrativos normais através do ofício de 24 de Janeiro de 1871 dirigido ao Ministério do Reino. A resposta das autoridades centrais foi dada num curto espaço de tempo mas não seguiu os mecanismos administrativos normais; foi dada através de uma Portaria datada de 28 de Janeiro de 1971 publicada em Diário do Governo. Medida infeliz na opinião de José Rodrigues de Freitas, representante republicano à Câmara dos Deputados, porque «não havia necessidade da publicação dela; a inserção no Diário parece manifestação do desejo de desconsiderar o Liceu do Porto» (cf. Alves, 1999: p. 71). Perante o meio e o modo da resposta, o Conselho do Liceu deliberou fazer uma Representação sobre a necessidade de uma lei geral de Instrucção Pública a propósito das reformas ultimamente decretadas na Instrucção Secundária dirigida á Camara dos Snrs, Deputados da Nação pelo Conselho do Lyceu Nacional do Porto em 8 de Março de 1871 (cf. 1871), a fim de dar igual visibilidade pública às suas opiniões de natureza pedagógica, organizacional e curricular. A Representação do Liceu defende a divisão dos estudos liceais em ordem a proporcionar o desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades cognitivas (com a finalidade de formar a aristocracia científica), uma adequada organização dos horários letivos, a criteriosa organização dos conteúdos no interior de cada cadeira e a dignificação do ensino público, em geral, e do ensino secundário, em particular. A linguagem utilizada não era de deferência para com as autoridades educativas, bem pelo contrário – era cáustica, frontal e muito clara:



Pela primeira vez, depois d’esse Decreto [de 31 de Dezembro de 1868], entrou a palavra pedagogia a ter um sentido preciso, e cuidaram de lêr-se e traduzir-se livros sobre essa importantissima sciencia..[…]

Em instrucção secundaria reveleram aquelles estudos, que pouco melhor estavamos. Egual desprêsoda educação physica, como quem só deseja que o espirito se robusteça e desenvolva, deixando-o atrelado a um organismo doentio e fraco. Distribuição das materias d’ensino, que em vez de excitar a um tempo, mas em dóses convenientes todas as faculdades da alma, excita o desenvolvimento exagerado d’umas, á custa do atrophiamento d’outras, gerando entre ellas uma perniciosa desegualdade d’aptidões e forças. Pouco tempo emfim para se estudarem certas disciplinas, e muito, sobejo até, para se esquecerem. […]

É bem possível que estas difficuldades desapparecessem n’estes Lyceus, pelo modo simples e facil como podiam desapparecer no do Porto. Mas o silencio d’estes corpos docentes póde significar outra coisa mais séria ainda; - é o profundo convencimento de que baldados são quantos  esforços se façam n’esta nossa terra para aperfeiçoar as instituições sociaes e as leis; que vãs são todas as tentativas de melhoramentos racionaes e fundados na experiencia; que inutil é luctar contra o mau fado que persegue a instrucção publica do paiz; pois que superior a todos os esforços, a todos os trabalhos, a todas as reclamações está a vontade poderosa dos que presidem a este ramo da publica administração; que decretam, reformam, legislam, modificam, alteram, destroem e esterilisam tudo o que tocam, deixando nas paginass do Diario official os documentos mais eloquentes da sua ignorancia, precipitação ou leviandade! […]

É tempo de voltar á idéa capital d’esta representação. Decretos, Portarias explicativas, Regulamentos, e Programmas é tudo do mesmo valor, –  reformas a retalho, pelas quaes a nossa instrucção tem ido de mal a peor. […] Acudam ao desmoronamento do nosso ensino publico; e por uma lei geral, tantas vezes promettida, quantas esquecida, firmem em novas bases este carcomido edificio; lembrando-se que, sem boa, sólida, verdadeira, e geral instrucção, nenhum povo se póde levantar e sacudir a mortalha, em que o sepultam os desvarios, e as leviandades d’estes reformadores tacanhos».



O documento foi assinado por todos os professores do Conselho do Liceu.

Na Câmara dos Deputados surgirá uma única voz a defender a Representação do Liceu: o deputado republicano José Rodrigues de Freitas, portuense de nascimento, deputado eleito pelo círculo de Valença, em 1870. Afirmou Rodrigues de Freitas, na sessão de 15 de Março de 1871, que “a linguagem da representação é enérgica, e poder-se-á dizer que uma ou outra frase é sumamente vigorosa; convém portanto saber desde já quais os motivos que levaram o Liceu a falar assim” (apud Alves, 1999, 70). Na sua intervenção, faz o historial das relações entre o Liceu e o ministério da tutela em todo o processo, elenca as dificuldades pedagógicas e os inconvenientes para a carreira dos alunos do Liceu por causa da aplicação das medidas de 1870 e remata dizendo que «um liceu que expõe dúvidas ao Governo não fala simplesmente como sendo composto de indivíduos que exerce o professorado; fala também em nome de direitos dos alunos que frequentam esse liceu, direitos respeitáveis, e que devem ser atendidos em vez de expostos aos decretos da leviandade» (idem, 72). Apesar de Rodrigues de Freitas ter explicitamente abordado esta polémica na Câmara de Deputados, os demais deputados não adotaram qualquer posição nem se pronunciaram sobre o assunto, não se tendo registado qualquer iniciativa legislativa (cf. Adão, 2001, 41). O Conselho do Liceu, em reconhecimento pelas diligências e esforços envidados por Rodrigues de Freitas, dirigir-lhe-á um voto de agradecimento, aprovado por unanimidade na Sessão de 31 de Março de 1871.

A Representação do Conselho do Liceu foi posta a circular em letra de forma, sob o formato de brochura, ainda durante o ano de 1871. A resposta solicitada pelas Cortes à Junta Consultiva de Instrução Pública foi publicada, novamente, sob o formato de Portaria, datada de 1 de Maio de 1871, no Diário do Governo e também sob o formato de brochura (cf. Parecer da Junta Consultiva de Instrucção Publica approvado por Portaria do Ministerio do Reino de 1 de Maio de 1871 á cerca da representação que dirigiu ás Cortes o Lyceu nacional do Porto, 1871), publicada pela Imprensa Nacional também nesse mesmo ano de 1871.

A tréplica dos subscritores da Representação foi decidida a 1 de Junho de 1871 pelo Conselho do Liceu e também posta circular sob o formato de brochura intitulada Analyse do Parecer da Junta Consultva d’Instrucção Publica sobre a representação do Conselho do lyceu nacional do Porto pedindo á Côrtes a reforma geral da instrução publica (1871) editada no mesmo ano de 1871

Todo este processo em que o Liceu se envolveu com a tutela educativa denota, em nossa opinião, uma atitude de coragem e de orgulho profissional exibida pelo Liceu, numa conjuntura dominada pelo silêncio e pela vergonha geral dos liceus, mercê da imposição de uma nova reforma em 1870 pelas autoridades centrais, quando a de 1868 ainda estava em fase de consulta pública. Os acontecimentos acima apresentados – a publicação da Representação e a tréplica analítica ao Parecer da Junta Consultiva, é um dos momentos maiores da história do Liceu e uma prova eloquente do seu thymos, ou seja, do “processo dinâmico pelo qual um conjunto de professores procura na fase de instalação e afirmação institucional da escola […] construir uma ideia e uma identidade da escola, recorrendo a processos racionais, afectivos e comportamentais, que são mais fundamentais do que estratégicos, dentro da observância do quadro jurídico-legal estabelecido” (Correia, 2000, 85), em defesa dos interesses dos alunos e inteligíveis à luz da conjuntura político-educativa. Estes atos, de índole volitiva, racional, afetiva e comportamental, de afirmação do brio profissional dos professores do Conselho do Liceu do Porto, no fundo, o que definimos por thymos, traduzirá, a um tempo, um estádio de maturidade identitária a que o Liceu tinha alcançado na década de 1860 e um estatuto de independência do Liceu face aos poderes centrais, apesar disso lhe ter custada a demissão do reitor José Pereira da Costa Cardoso, um dos subscritores dos documentos produzidos. Este thymos inscrever-se-á no habitus de independência, solidariedade entre colega e observância de princípios éticos e deontológicos que caracterizaram o Liceu no período analisado.

Determinado pelo Executivo saído da Revolução de 1910 e aprovado por aclamação na na sessão de 27 de Outubro de 1910 do respetivo Conselho Escolar, “numa justíssima homenagem áquelle nobre cidadão, verdadeira glória d’esta terra”, Rodrigues de Freitas é designado patrono do Liceu. A víuva de Rodrigues de Freitas, D. Ana Luísa, agradeceu o ofício do reitor dando-lhe conta da deliberação (cf. ibidem: Sessão de 1 de Novembro de 1910). Nesta mesma sessão os professores do Conselho Escolar afirmam, por aclamação, a sua declaração adesão às instituições republicanas.

Apesar de algumas empreitadas ainda estarem em fase de execução, o Liceu muda-se para o edifício construído de raiz para albergar as suas instalações no ano letivo de 1932/1933. No frontão que encima o corpo do central da fachada central do edifício estava gravado, em alto-relevo, Liceu Rodrigues de Freitas…



Bibliografia Ativa

Adão, Áurea (2001), As políticas educativas nos debates parlamentares oitocentistas – o caso do ensino secundário liceal. Lisboa/Porto: Assembleia da República/Edições Afrontamento.

Alves, Jorge F. (1999), Rodrigues de Freitas: intervenções parlamentares (1879-1893). Lisboa/Porto: Assembleia da República/Edições Afrontamento.

Correia, Luís G. (2000), “O thymos segundo o Liceu Feminino do Porto: 1917-1927”, Revista da Faculdade de Letras – História, III série, vol. 1, Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, p. 83-100.

Idem (2002), Récita do Liceu Rodrigues de Freitas/D.Manuel II: 1932-1973. 3 vols., Porto: ed. autor (dissertação de doutoramento no ramo de conhecimento em História apresentada à Universidade do Porto).

Idem (2003), «Liceu Rodrigues de Freitas/D. Manuel II, no Porto» in António Nóvoa e Ana Teresa Santa-Clara (coord.), «Liceus de Portugal» – histórias, arquivos, memórias. Porto: Edições Asa, p. 658-685.


Hino da Fruta 2014/2015 – 3.º Ano, EB Torrinha – PORTO

Hino criado pelos alunos das Turmas A, B, C e D do 3.º Ano, da EB da Torrinha - PORTO no âmbito do projeto «Heróis da Fruta -- Lanche Escolar Saudável» da APCOI -- Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil no ano letivo de 2014/2015. 

Rodrigues de Freitas

por Sofia Almeida (aluna do 12ºF da EBSRF) iluistração por Raquel Rocha (aluna do 12ºF da EBSRF)

José Joaquim Rodrigues de Freitas nasceu no Porto a 24 de janeiro de 1840 e faleceu a 27 de julho de 1896 e foi dos poucos a conseguir uma harmonia entre a política e a educação.
Rodrigues de Freitas foi um importante republicano na história da política portuguesa e foi, acima de tudo, um visionário na área educativa. O legado que deixou é uma confirmação de que a política e a educação andam de mãos dadas.
O político fez sempre questão de realçar o problema da educação popular, focando-se em aspetos como o direito de todos a um mínimo de instrução, a importância de uma educação com conteúdos programáticos do realismo pedagógico e a elemento fulcral que é a formação. O republicano defendia que todos os seres humanos tinham o direito a realizarem-se como indivíduos e como membros da sociedade.
Rodrigues de Freitas defendeu a importância das ciências, indústrias e artes na política educativa, pois estas áreas acreditava que potenciavam a natureza humana. A instrução primária e a educação da mulher também foram assuntos abordados.
O político diz num dos seus textos que a sociedade da época tinha “suportado as consequências de um grande abatimento intelectual; sem este abatimento não poderíamos ter sido tão longamente dominados e oprimidos, como o fomos, pela teocracia e pelo absolutismo”. Esta afirmação demonstra que o Freitinhas (como era carinhosamente apelidado) acredita que a educação deve ser encarada como uma força emancipadora.
Infelizmente, esta luta incessante por um sistema que tratasse todos os géneros, idades e classes sociais da mesma forma acaba por passar despercebida a uma grande parte do povo português, mas não o nome Rodrigues de Freitas, que o antigo Liceu D. Manuel adotou após a Implantação da República em Portugal.

Dia dos Reis

pelos alunos da Escola E.B. de Carlos Alberto (fotografia pelo prof. Paulo Barbas)  

Cantar as Janeiras


Olá Amigos!

No passado dia 6 de Janeiro a nossa escola festejou mais um “Dia de Reis”. Todos nós fizemos coroas muito engraçadas e ensaiámos várias canções. Como o tempo não ajudou, tivemos que ficar na escola a cantar de sala em sala. Foi superdivertidíssimo, até recebemos guloseimas pelo agradecimento das turmas.

Um abraço para todos.

Em breve daremos mais notícias nossas.

Liberdade (Je Suis Etc...)

por Sofia Almeida (aluna do 12ºF da EBSRF)

“Liberdade, igualdade, fraternidade”[1] é o lema associado ao povo francês, desde a sua Revolução. Em 1789, ano em que a mesma se iniciou, a livre comunicação das ideias e opiniões foi considerada “um dos bens mais preciosos direitos do Homem”, estabelecendo-se, então, a liberdade de discurso na imprensa. Esta declaração foi uma vitória para a sociedade, que passou de censurada a livre.
No entanto, esse direito à liberdade não teve qualquer importância para um grupo de extremistas, quando Charlie Hebdo decide satirizar, várias vezes, a religião islâmica. Isto resultou na perda de 17 vidas durante um ataque à sede do jornal francês.
Este acontecimento sofreu muita atenção por parte dos media, o que resultou em opiniões distintas. Muitos comediantes e cartoonistas, à volta do mundo, acabaram todos por reagir a este ataque da mesma forma e chegaram à mesma conclusão: a comédia não deveria custar vidas. A comédia não deve ser um ato de coragem, deve entreter o espetador. Há uma parte da sociedade que defende que os cartoonistas não foram inteiramente inocentes, pois grande parte dos artigos ultrapassaram a linha do bom senso. E o facto de termos direito à liberdade de expressão, implica respeitarmos a posição do outro.
Este ataque acabou por abrir os olhos a muitos comediantes e artistas, que agora têm de pensar duas vezes antes de satirizar uma situação, não porque o Estado os condena, mas porque a sua própria vida pode estar condenada.
Não deveríamos todos ter o direito à liberdade de expressão? Seja através de uma crónica, quadro, música, cartoon ou até estilo? Sim, deveríamos. Penso que a verdadeira questão está no porquê de não conseguirmos essa a harmonia e esse respeito mútuo; seja entre religiões, raças, orientações sexuais, países ou até mesmo a nível monetário. Porque é que é tão difícil aceitarmo-nos e aceitarmos o outro como ele é? Não temos todos que partilhar dos mesmos interesses, temos apenas que respeitar os interesses dos outros.
Eu recuso-me a viver uma vida de medo e pânico por expressar as minhas crenças.


[1] = Liberté, égalité, fraternité

A desfolhada

pelos alunos do 4º ano da Escola de S. Nicolau 


Num lindo dia de sol, a nossa escola fez a desfolhada!
Nesse dia, vestimo-nos de acordo com a época em que se faziam estes trabalhos agrícolas. E, prontos para a nossa tarefa, desfolhamos as espigas de milho, que estavam amontoadas no chão, do recreio.
Juntamo-nos em roda, sentados no chão, a desfolhar as espigas que tínhamos à nossa frente. Muito divertidos e empenhados, desejávamos encontrar o milho-rei, a espiga vermelha.
Depois, recolhemos o milho todo para um cesto e juntámos as folhas dentro de um saco. 
É um trabalho duro, mas ao mesmo tempo é satisfatório e importante; pois as pessoas convivem e ajudam-se mutuamente.
Todos perceberam a importância deste trabalho e reacendemos uma tradição, mostrando o respeito e valorizando este tipo de atividades.
Foi muito divertido!

Porquê Escola Básica e Secundária “Rodrigues de Freitas”?

por João Veloso (aluno do 11ºF da EBSRF) ilustração de Dânia Rodrigues (aluna do 7ºD da EBSRF)


As origens da Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas remontam a 1836, ano em que Passos Manuel, figura proeminente do Liberalismo Português e Ministro do Reino entre 1836-37, fez passar o decreto que consagrava a criação do Liceu Nacional do Porto. Esta escola, testemunho da omnipresente aposta dos Setembristas no ensino público, mudou frequentemente de sede. Passou pela Rua Formosa, por Santa Catarina, pelo Campo 24 de Agosto, registando a passagem pelas suas portas de figuras proeminentes, tanto mestres como discentes.

No ano de 1906, passou a ser designado por Lyceu Nacional Central da 2ª Zona Escolar do Porto, rebatizado dois anos mais tarde como Liceu D. Manuel II, denominação que não duraria muito, já que, com a Implantação da República em 1910, o nome do rei deposto não parecia muito adequado para uma escola que sempre fora das mais reivindicativas e  inconformistas escolas do país. Decidiu-se então chamar a este excelso estabelecimento de ensino Liceu Rodrigues de Freitas. Por acharmos assaz importante que os alunos da escola conhecerem o seu patrono, narraremos agora, concisamente, a história de vida de um dos mais ilustres portugueses.

José Joaquim Rodrigues de Freitas viveu entre 1840 e 1896. Formou-se em Engenharia na Academia Politécnica do Porto, onde mais tarde lecionou. Um indivíduo com uma bagagem cultural e intelectual fora de série, para além de ser muito respeitado pelos seus conterrâneos, distinguiu-se academicamente, alcançando o estatuto de “Lente Proprietário”, com apenas 27 anos. Rodrigues de Freitas distingue-se, porém, pela sua carreira política. Simpatizante dos ideais republicanos e socialistas, assim como membro da Maçonaria, foi um dos homens responsáveis pela organização do Partido Republicano Português. Em plena monarquia, teve a honra de ser o primeiro deputado republicano do país, função que desempenhou diligente e exemplarmente.

Diz-nos um seu amigo íntimo, António Luís Gomes, que após ter sido nomeado deputado pelos burgueses monárquicos portuenses, Rodrigues de Freitas tentou declinar o convite, dizendo: “Mas eu sou republicano. Como querem, pois, os senhores que os represente?”, ao que os burgueses responderam: “Mas nós não cuidamos de saber quais são as suas predileções ou inclinações partidárias. Temo-lo na conta de uma pessoa que sabe o que diz; sabemos que é um verdadeiro defensor desta terra e, como tal, queremos e propomos-lhe que nos represente.” Foram estas as palavras que convenceram Rodrigues de Freitas a mudar de ideias e a assumir a responsabilidade de defender ferozmente os interesses da Invicta e do povo português (confrontar com o jornal Contacto, de 1 de Junho de 1983).

Infelizmente, o patrono da nossa escola morreu catorze anos antes da Implantação da República, nunca chegando a ver a realidade por que sempre lutou. Por ter sido um indivíduo tão revolucionário, não admira que durante o Estado Novo (responsável pela construção do edifício onde a escola está sediada desde 1933), o liceu tenha voltado a ser conhecido por D. Manuel II, somente recuperando o seu atual nome em 1974, após a Revolução de Abril, que plantou as sementes da Democracia e Liberdade com que Rodrigues de Freitas sonhara.

Eco-escola em atividade na Escola Básica de Miragaia

por Graça Silva (Scientix Deputy Ambassador Eco-escolas)


Na Escola de Miragaia o Eco-escola está a trabalhar pra melhorar o ambiente.
Na organização do trabalho fizemos já um Eco-conselho com a participação dos alunos para os mobilizar para o trabalho. Este é organizado segundo uma metodologia bem divulgada. 

Metodologia do programa 
Os temas de trabalho são a Água, Energia, Reciclagem, Biodiversidade e Agricultura Biológica. Há vários projetos promovidos pelo Eco-escolas ao qual a escola aderiu para integrar todo o seu trabalho e está inscrita no Depositrão, Eco-pilhas e concurso de Hortas. Estamos a terminar a campanha de recolha de pilhas e carregadores do primeiro período que esperamos terminar com sucesso.
Na horta fizemos grandes planos. Começamos por limpar o terreno com remoção das principais plantas pois são classificadas de Invasoras, ou seja, de elevado risco para a biodiversidade natural. O trabalho foi difícil mas compensador.
 
Aspeto da Invasora, conhecida como «Bons Dias» 

Fizemos a recolha de alguns produtos que foram criados no ano anterior e que ainda estavam nos espaços que fomos tratando.

 
Alimentos recolhidos da horta

À medida que limpamos a horta fomos semeando e cultivando, a começar por nabiças, seguida de favas, cenouras, couves, alho. Ainda teremos mais, como ervilhas, alface, etc.


As couves e as favas 
A horta tem contado com bastantes colaboradores, alguns mais regulares que outros mas nada seria feito sem eles, pelo que devem sentir-se orgulhosos do seu trabalho e manter o ritmo, aprender fazendo.

Equipas de trabalho 

Reciclagem 
Este é um dos temas caros ao Eco-escolas. Em Miragaia faz-se a separação regular de resíduos e recolhas específicas, como a campanha Depositrão, Eco-pilhas, Rolhinhas. Fazemos também trabalhos criativos com reciclagem de materiais.



Reciclagem

Scientix – um portal de Ciência para Professores

por Graça Silva (Scientix Deputy Ambassador Eco-escolas)




O Scientix é uma Comunidade única para professores, investigadores em educação, responsáveis da política educativa e todos os interessados e colaboradores. Porquê? Porque foi criado por convénio de 30 Ministros da Educação e Ciência da União Europeia. Existem conexões entre ministérios, Centros de Ciência, Universidades, Centros de Formação, Museus, etc.

Scientix promove e apoia os projetos Europeus de colaboração em ciência, nomeadamente os professores STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), investigadores e gestores de projeto.

A proposta é que adiram o máximo de professores, fazendo um registo muito simples, e a partir daí, pode procurar, projetos, recursos, partilhar os seus recursos, procurar parceiros ou novos colaboradores. Não é uma recurso novo, é um acervo dos recursos financiados e/ou sob financiamento europeu. Quase todos os professores já ouviram falar de eTwinning, Science on Stage.

O que pode obter um gestor de projeto?

Pode encontrar professores ou escolas para colaborar no seu projecto, na rede do Scientix; pode divulgar o seu projeto; pode colocar os seus recursos educativos às disposição da Comunidade segundo uma licença europeia que permite que seja respeitada a autoria do recurso; pode aumentar a rede de trabalho e mesmo organizar encontros com o apoio do Scientix. 

Alguns projetos inspiradores, que contam também com a colaboração de portugueses 
Portanto, fica aqui lançado o convite aos professores, registem-se no portal, consultem os projectos e os recursos disponíveis, descarreguem os que vos interessa e, se não estiver traduzido para português, solicitem a sua tradução. Todos os recursos com três pedidos serão traduzidos; classifiquem os recursos, vejam as novidades e participem nos debates! O Scientix está a monitorizar a atividade online e vai premiar três professores por mês. Podem ganhar uma semana em Bruxelas, na Future Classroom Lab, com tudo pago. É tentador…
www.scientix.eu – é assim fácil de encontrar e de usar, mesmo não sendo em português.

Conferência Scientix 
Realizou-se de 24 a 26 de outubro de 2014, uma conferência dirigida aos professores europeus da área STEM – ciências, matemática e tecnologias. Participaram quase 600 pessoas, incluindo os embaixadores do Scientix, e responsáveis do programa e dos projetos que estão mais ativos atualmente. De Portugal foram os representantes do Ministério da Educação, os embaixadores como a professora Graça Silva, da Escola Rodrigues de Freitas e diversos professores que se inscreveram e a quem foi aprovado a sua ida e respectivo financiamento. Desde logo fez-se um grupo muito animado com uma dezena de professores da região norte que ficaram muito entusiasmados com os projetos e experiências que puderam conhecer em primeira mão.

O regresso às escolas foi realizado com troca de contactos e de ideias pois todos desejam trabalhar em conjunto em projetos e organizar trabalho conjunto. A colaboração é a chave e é do que mais se deseja estimular no Scientix. 

Future Classroom Lab, o que é?
É uma espaço real criado para concretizar as grandes mudanças que se espera que ocorram na escola do futuro. Foi criada uma sala em Bruxelas com o apoio de várias empresas chave que investem na ciência e tecnologia. Temos assim a Intel, a Microsoft, Oracle, ISIS, Lego e muitas mais.

O conceito é altamente tecnológico mas segue um percurso “Inquire Based Learning” essencial em ciência. Tem uma dinâmica intensa e promove formação online e no local, com financiamento europeu e baseado na European Schoolnet. O sucesso tem sido evidente. Em diversos países têm-se criado réplicas desta sala. Em Portugal foi criada uma que abriu em 2014, na Escola secundária de Setúbal. Já está disponível para visitas e realizar formação. 

Projetos internacionais do Agrupamento 
Uma forma muito simples de um professor ou um grupo de professores participar numa comunidade com projetos, é com a plataforma eTwinning. Esta é uma plataforma que está disponível nos recursos do Ministério da Educação e que tem uma forte comunidade de professores que é devidamente suportada por uma equipa técnica e de professores voluntários. É possível entrar para explorar, aprender, com formação online ou regional, e pode-se estabelecer contactos e criar ou aderir a um projeto. Nesse contexto, é criada uma sala de trabalho do projeto, onde os professores e alunos envolvidos podem colaborar diretamente. Não é difícil de organizar pois há total liberdade de organizar o que se pretende e há um bom controle do trabalho feito.
Na Escola Básica de Miragaia existem dois projetos eTwinning, «A short guide to the identification of trees» com escolas de Espanha, Itália, Polónia, Eslováquia e Reino Unido. O local de estudo em Portugal é o Jardim das Virtudes, um local emblemático da cidade bem próximo. O segundo projecto foi inspirado no facto de 2015 ser o Ano Internacional da Luz e baseia-se na criação de experiências sobre a luz que irão estar em concurso. A adesão a este projeto foi imensa e a competição foi ajustada às diferentes idades dos alunos participantes. 
Ano Internacional da Luz 
O primeiro projeto está mais ativo, neste momento e tem mais uma escola interessada em participar, da Turquia. As escolas estão em contacto e foi realizado algum trabalho no terreno com fotografia e recolha de folhas para produzir um herbário.

Laboratório Aberto

pelos alunos do 2ºA da Escola E.B.1 de Carlos Alberto 

 fotografia de Paula Barbas (prof. da EB1 de Carlos Alberto)

Da Superfície ao Interior da Terra

Olá Colegas!

Na 1ª semana de Dezembro fomos ao Laboratório Aberto descobrir como se formam os vulcões.Como é normal tivemos que usar vestuário adequado a um laboratório, mais parecíamos o “Sid Ciência”.

Foi muito giro, fizemos um puzzle da superfície da terra e no final… BUM!…
Acabámos a nossa atividade com a construção de um vulcão em erupção. Juntámos vários reativos e lá estava o nosso vulcão.
Foi espetacular ver toda aquela lava.
Um abraço para todos. 
Em breve daremos mais notícias nossas.

Visita de antigos alunos do Liceu D. Manuel II

por Professor Doutor José Luís Medina (antigo aluno do Liceu D. Manuel II)

Ex.ª Senhora Directora do Agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas:

Vimos desta forma reiterar o nosso reconhecimento pela forma tão cordial e solícita como V. Ex.ª se dignou receber a nossa turma dos antigos alunos do Liceu D. Manuel II, que concluíram o ensino secundário no ano  de 1957 reconhecimento em que envolvemos as Exas professoras que se desdobraram em atenções durante a visita guiada, a qual trouxe ao de cima “o carinho comum por essa Escola”, tal como V.Exª bem referiu em resposta à nossa pronta mensagem assinalando a grande dignidade de que se revestiu o evento.

E como nos foi solicitado um retábulo sobre o nosso antigo Liceu, com vista à sua eventual publicação no Jornal Escolar, vamos tentar sintetizar a nossa vivência durante aqueles sete anos da década de 50.  
Comecemos por referir que a nossa visita  teve como objectivo revisitar as instalações onde durante cinco anos diariamente nos encontrávamos e relembrar muitos dos momentos mais agradáveis e também os menos bons que em conjunto aí vivemos.

Nessa época a autoridade do Reitor constituía, então, um símbolo da disciplina  que, em escala descendente envolvia também os professores e contínuos.

Esta teia, não impedia que se estabelecessem boas relações entre alunos e alguns contínuos, mormente os responsáveis pelos laboratórios de Química e Ciências Naturais, por causa dos trabalhos práticos.

Uma boa parte dos nossos professores tinha a sua alcunha (que seria impossível desconhecerem), sendo o Chefe dos contínuos o Sr. Moreira alcunhado de “Reizinho” embora vestisse, como todos os outros, a farda, sem insígnias, azul ou cinzenta, consoante a estação do ano.

Quanto aos métodos de ensino e programas, tinham que ser cumpridos pois era a norma em vigor em todo o país, não havendo hipóteses de contestação.

A chegada das primeiras alunas, descidas lá do alto da Carolina Michaelis, que se recortava no céu, longe de causarem qualquer tumulto, constituiu uma lufada de ar fresco até por ser uma experiência pioneira a nível nacional porque se tratou  apenas de cerca de duas dezenas de alunas, que por carência de professoras na área, no Liceu Carolina, vieram completar uma turma de letras do D. Manuel II.

A este propósito registámos no jornal do Liceu, “O Mensageiro-Jornal Académico do Liceu D. Manuel II” nº 11 de 4/12/53  ?, um depoimento de uma aluna, referindo que “ os miúdos é que se mostram mais atrevidos”. Mas o assédio não ia além de uns papéis enfiados à socapa nos guarda-chuvas das alunas, deixados no pátio da entrada.

O apartheid passava também por que as raparigas tinham um recreio à parte, no pátio central com vigilância reforçada.  

E o zelo dos vigilantes das nossas hormonas era de tal sorte que um nosso colega, o Lima Félix, num dia em que cumprimentou, de beijo na cara, uma sua irmã com quem se cruzou, apanhou um  tabefe do Reitor.  

A adequação dos programas ao tecido empresarial (com agora se diz) está bem no destaque com que aparecem no Museu de zoologia aquele crocodilo e uma enorme minhoca de caco com as tripas todas à mostra, ao lado um caracol gigantesco sobre o qual o professor de Ciências Naturais, o Dr. Manuel Joaquim Lopes, dissertou sobre o hermafroditismo do bicho.

 Da  colecção  existente a Sr.ª responsável pelo Museu, marcou bem que nem sequer era nascida quando por ali dissecávamos rãs  com muito ou pouco pendor científico, rematando com que a maior parte daqueles bichos seriam do nosso tempo (não no conceito geológico, entenda-se).

Saíamos do Liceu com excelente bagagem teórica, a ponto de, ainda hoje conseguirmos papaguear (de memória, neste momento em que escrevemos) o sistema ambulacrário do ouriço-do-mar, as placas madrepóricas, as ordens dos mamíferos, aves, repteis, batráquios e peixes, os rios e serras de Portugal, os diferentes Países e capitais, os anos das guerras mundiais etc, etc.

Na cristalografia, passamos semanas a orientar aos modelos em madeira, nos sistemas  cúbico, hexagonal, tetragonal, mono  e triclínico e ortorrômbico que jamais contemplamos na Natureza.

Tínhamos chatíssimas aulas de canto coral e solfejo e saímos do Liceu, incapazes de ler uma pauta ou distinguir uma nota do tamanho da roda dum carro de bois.

Em contrapartida, distinguíamos os guinchos, das andorinhas, por terem, aqueles, dois dedos para a frente, e outros tantos para trás (quem diria?).

Nos exames de Matemática, apreciávamos mais a Trigonometria que a Álgebra e que a Aritmética Racional que nunca alguém nos ensinou minimamente  para que serve.

 Empinávamos a Constituição da República que não sabíamos bem para que servia.  

Ainda assim, havia espaço para algumas transgressões, como a de uma dupla useira e vezeira que fez um golpe de mão à sala dos professores para arrancar a página do livro de ponto donde constava uma falta de castigo aplicada a um colega.

A par disso também houve alguns desaires que vêm sempre à baila nos nossos encontros, como aquele da dupla do golpe de mão ao livro de ponto, e que se lembrou de misturar numa proveta, todos os ingredientes que apanhou à mão no laboratório de Química, até que começou a sair uma fumaceira castanha que levou a que a turma toda tivesse que se refugiar no corredor.

E quando ali aportou um professor de ginástica chutado de Évora por não andar a regular bem da cabeça, ainda aguentámos vê-lo andar calado durante três aulas consecutivas, de sobretudo, em pleno ginásio, mãos nos bolsos, às voltas na sala, sem proferir uma palavra.

Fomos ganhando confiança e, à quarta, nestes preparos, desatámos a jogar a bola, sem passar cartão ao mestre. Às tantas ele parou, e sem dizer palavra, puxou de uma navalha do bolso e receámos o pior. Limitou-se a esfrangalhar a bola e lá retomou o passeio, sempre de olhos no chão. Nunca mais lhe pusemos a vista em cima.

Da conversa que mantivemos numa sala de aulas foi abordada a falta de horizontes para os formandos, uma pequena/grande diferença em relação à nossa geração, quando o simples canudo do 7º ano nos abria muitas portas e garantia emprego.

Um bom indicador da (boa) mudança do paradigma, é que seria inimaginável que o antigo Reitor, António Guerreiro, se dignasse descer do seu pedestal para receber, à porta, um grupo de nostálgicos sem qualquer peso formal, tal como acaba de fazer a solícita Directora desse Agrupamento de Escolas, onde é patente a frescura e empatia que reinam nas salas de aulas, onde tivemos o ensejo de entrar e constatar que o actual Chefe da Turma,  havia sido nomeado por meritocracia.

Parafraseando John Kennedy, a mensagem com que terminamos este bosquejo e que endereçamos aos jovens inquilinos desta casa é a seguinte: não fiquem à espera de que o País venha ao vosso encontro. Peguem, com ambas as mãos no que resta do País e, para bem de todos, façam um País novo; Nós tentámos mas não conseguimos. 
 14 de novembro de 2014

Bioética


pelo Doutor Rui Nunes (antigo aluno do Liceu D. Manuel II, Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto)

Quando, em 1970, Van Potter introduziu o termo “bioética” na literatura científica internacional não teve porventura a noção do impacto desta área na evolução da sociedade contemporânea. Pode afirmar-se, hoje, que a bioética atingiu a sua maturidade enquanto área científica, académica e de intervenção social, que busca incessantemente os ideais de justiça, igualdade e autorrealização pessoal.



De facto, e como refere Luís Archer, a bioética eclodiu há cerca de quatro décadas como um grito de alerta vibrado por médicos e biólogos, face às incríveis possibilidades das novas tecnologias. Perante os novos poderes que a ciência dá ao homem sobre a vida e sobre si próprio, é imperioso que a sociedade tome consciência de todas as suas consequências a longo prazo e, num diálogo transdisciplinar e pluralista, aberto a um público cada vez mais informado, tome todas as decisões necessárias para evitar a degradação da vida e da terra, possibilitando a sobrevivência do homem no nosso planeta. A medicina e a ciência não podiam escapar a este desafio, ou seja, numa perspetiva plural e interdisciplinar, questionar o alcance bem como os limites da tecnologia biomédica no ser humano. Questionar ao abrigo de princípios que devem, para além de identificar a questão nuclear, analisá-la em termos dos valores defendidos pelas correntes mais representativas do pensamento humano.



De facto, a medicina e a ciência devem concorrer sempre para melhorar as condições de existência da humanidade respeitando a identidade do sujeito e a da espécie a que pertence. Esta linha de pensamento está na base da edificação daquilo que hoje conhecemos e valorizamos por direitos humanos fundamentais. Estes mais não são do que o reconhecimento expresso de um marco axiológico fundamental que é o valor intrínseco, inquestionável, da pessoa humana. E o seu caráter não-instrumental. Numa perspetiva mais abrangente, e também mais global, bioética pode ser considerada simplesmente como “amor pela vida”. Assim, a bioética ainda que tivesse originalmente um significado mais lato, nomeadamente relacionado com a preservação da biodiversidade, rapidamente veio debruçar-se sobre as questões éticas colocadas pelas ciências biomédicas. Por exemplo, a procriação medicamente assistida, a clonagem de seres humanos, o estatuto dos embriões in vitro, a biologia sintética, a repro-genética, a eutanásia, o testamento vital, etc. Todos este temas devem ser hoje abordados sem qualquer reserva intelectual de acordo com princípios éticos universais de respeito e de tolerância por diferentes convicções.



A bioética estabeleceu-se, então, como um novo domínio científico, muito embora de cariz transdisciplinar. A dicotomia inicial em torno desta área parece agora esbater-se no sentido de se atingir a globalidade. Bioética global significa não apenas a adoção de uma ética universal mas também a inclusão de todas as questões que respeitam às ciências da vida.



E a escola é o local ideal para que todos estes temas sejam debatidos com frontalidade de modo a que os jovens, desde cedo, comecem a perceber a incrível dimensão ética das novas tecnologias.