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Liberdade (Je Suis Etc...)

por Sofia Almeida (aluna do 12ºF da EBSRF) “Liberdade, igualdade, fraternidade” [1] é o lema associado ao povo francês, desde a sua Revolução. Em 1789, ano em que a mesma se iniciou, a livre comunicação das ideias e opiniões foi considerada “um dos bens mais preciosos direitos do Homem”, estabelecendo-se, então, a liberdade de discurso na imprensa. Esta declaração foi uma vitória para a sociedade, que passou de censurada a livre. No entanto, esse direito à liberdade não teve qualquer importância para um grupo de extremistas, quando Charlie Hebdo decide satirizar, várias vezes, a religião islâmica. Isto resultou na perda de 17 vidas durante um ataque à sede do jornal francês. Este acontecimento sofreu muita atenção por parte dos media , o que resultou em opiniões distintas. Muitos comediantes e cartoonistas, à volta do mundo, acabaram todos por reagir a este ataque da mesma forma e chegaram à mesma conclusão: a comédia não deveria custar vidas. A comédia não deve ser um a...

Seja qual for o ranking, para mim o Rodrigues de Freitas está no topo

por Afonso Reis Cabral (antigo aluno da EBSRF) Chegar ao Rodrigues de Freitas foi um esforço. Em 2005, o Porto parecia rejeitar os poucos alunos cuja vocação era Línguas e Literaturas. Quase todos os pais, e até as direcções das escolas, dissuadiam-nos de formar uma turma. Dizendo de maneira muito simples, combatia-se as humanidades: «Isso serve para quê?». Perante a pressão social, muitos desistiram e fugiram para outros agrupamentos, tornando ainda mais difícil juntar o número suficiente de alunos. Nesse ano, quase não houve turma de Línguas e Literaturas. Restaram pouco mais de vinte pessoas, e ainda sem local. Batemos à porta de várias escolas. A Secundária Rodrigues de Freitas foi a única que nos acolheu. Vivia-se ali o ambiente dos antigos liceus: as tábuas rangiam à passagem, os estrados dos professores vergavam, as salas, grandes e nada aquecidas, obrigavam-nos a levar aquecedor no Inverno. No entanto, o desconforto, agora alterado pelas obras da Par...

Intervenção nas comemorações do 50º Aniversário da Turma A do Liceu D. Manuel II.

por Viriato Pina Moura Exmos Senhoras Professoras da Direção do Agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas Estimados Professores que felizmente a nós hoje se juntam. Meus caros Companheiros, A todos a minha saudação. Fui democraticamente designado, num almoço onde não estive presente, para dizer hoje umas palavras. Posteriormente vi este momento designado como “Oração de Sapiência”.  É uma designação pesada... Espero sinceramente não vos desiludir. 1964 -1969: afinal quantos anos foram esses cinco anos das nossas vidas? A pergunta justifica-se como uma variante da questão clássica, ainda por  responder - Quantos minutos é um minuto? A primeira resposta, ingénua, seria que foram esses 5 anos, cinco anos, entre Outubro de 1964 e Julho de 1969 Mas será assim? Porque perduram esses cinco anos na nossa vida mais que quaisquer outros cinco anos? Porque estamos aqui a evocá-los de forma que dificilmente acontecerá com quaisquer ...

Editorial (Edição nº8)

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por Maria José Ascensão A biodiversidade é a vida. A biodiversidade é a nossa vida», é o mote que as Nações Unidas associam a 2010, Ano Internacional da Biodiversidade. Será um ano de mobilização internacional para “celebrar a diversidade da vida na Terra e contrariar a perda da biodiversidade no mundo”. Considerando o ritmo alarmante de extinções, mil vezes superior ao que seria natural, a ONU pretende aumentar a consciência sobre a importância da preservação da biodiversidade em todo o mundo, tendo em conta que esta perda é causada pelas actividades humanas e agravada pelas alterações climáticas. Um momento importante do ano será a Cimeira da Biodiversidade de Nagoya, no Japão, em Outubro de 2010, onde os governos irão definir os objectivos e etapas para contrariar a perda da biodiversidade. Espera-se que sejam capazes de priorizar os interesses globais face às conveniências económicas e geopolíticas de alguns. O ano terminará em Kanazawa, igualmente no Japão, com uma cerimónia que a...

Encontros com o sagrado

por António de Montelongo Há tempos, no Porto, ao sair da missa vespertina de um sábado húmido e frio de Dezembro dei, juntamente com a família, com um sem-abrigo deitado no chão à porta de uma instituição bancária. Irónico: dei … ao sair da missa … à porta de uma instituição bancária. Muitas vezes me vêm à mente palavras que dizem serem de Cristo: “Tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber…”. E se nós, que frequentamos as práticas religiosas, que nos dizemos crentes, verdadeiramente acreditássemos nestas palavras, como seria a nossa vida? Enfim…. Não é muito difícil levar umas sandes, fruta e uma bebida, descer a rua e dá-la, mais ou menos apressadamente, ao Sem-Abrigo que pernoita à porta da C.G.D., na Praça Exército Libertador. Difícil é acreditar no sentido das palavras e ser na acção coerente com aquilo em que se diz acreditar. Não, não é grande sacrifício ir, mesmo que diariamente, com algo ao encontro do Sem-Abrigo; sacrifício é ir semanalmente à missa e ouvi...

Crónica da ética escolar

por Lobo, Alfa, Raposa e Tubarão (alunos do 12ºano) Nos dias de hoje, como acontece desde há tempos imemoriais, existe algo que separa os adolescentes de liceu dos animais do zoo. É uma diferença mínima, mas está lá; é o Código de Honra dos Alunos. Não está escrito em papel, nem papiro, nem em pinturas rupestres, nem sequer é algo que se comenta. É apenas algo que todos os alunos deveriam saber ao nascer. Este código não-escrito implica regras importantes e sagradas como fugir da substituição mal passem dez minutos do toque, nunca lembrar o professor do trabalho de casa, fazer de conta que não o fez se mais ninguém o tiver feito, pedir notas altas para os colegas na hetero-avaliação, quando o professor pergunta “Quem falta?” dizer sempre “ninguém” mesmo que estejamos sozinhos na aula, entre outros. Não convém revelar mais por obrigação da regra mais importante do código: “não se fala do código”. Como em todas as sociedades altamente organizadas, também na nossa existem os fora-da-lei, ...

A angústia do paginador no momento do penálti

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por Eduardo Miguel Serve esta pequena crónica para descrever uma situação de angústia-pós-parto editorial, aproveitando também para um pouco de pedagogia tipográfica. Sim, de tipografia, egografia e hortografia! Tudo! Menos… caligrafia, que por ela esta estória nunca teria acontecido! … Um colega de profissão (sim, professor) surpreendido ao verificar que uma actividade desenvolvida com os alunos, atempadamente enviada, não mereceu a sua publicação na última edição do Jornal, manifestou a sua justíssima indignação pelo sucedido. Falta nítida… e sempre a dúvida… dentro ou fora da área… haverá razão para a marcação de uma grande penalidade? No momento do penálti o guardião pede desculpa pela sorte, mas apenas considera três hipóteses: ou defende, ou… abola-vai-ao-poste-à-trave-ou-ao-lado. Afinal, são quatro. O melhor é contar… “… Era uma vez um ficheiro chamado “Jornal Etc.DocX” que chegou de banda larga à nossa caixa_sita em etc.jornal@gmail.com. Dia 8 de Janeiro, eram precisamente 17h4...

Considerações intempestivas sobre a educação (continuação)

por António Augusto Oliveira Cunha e António Tavares Unidade e diversidade da educação. Nas considerações anteriores falámos de educação, ensino e formação. Na primeira distinguimos educar e ensinar; na segunda ensinar e formar. Hoje vamos referir a unidade e diversidade da educação. Por ser uma problemática na qual imergimos diariamente e que dá sentido à nossa acção como profissionais, voltaremos a estes temas. Voltaremos, intempestivamente? Pode pensar-se que na nossa época hiperespecializada, ao educando é imposta uma sucessão incoerente de processos educativos, e que essa realidade funciona quase sempre em seu detrimento. Para não nos alongarmos muito, concentremo-nos na questão dos valores e podemos pensar que os três termos acima referidos: educar, ensinar, formar, se bem que distintos, ou melhor por serem distintos, mantêm entre si uma relação de complementaridade. Vejamos: quer se trate da educação familiar, do ensino, ou da formação, aprende-se nestas três situações. É certo ...

“Conta-me como foi”: o estatuto do aluno.

por Carlos Jorge No Estado Novo Era o alvorecer de uma nova década. Eu teria pouco mais de 15 anos, e o alvorecer mais importante das últimas décadas estava ainda na incubadora da história e nas contradições e tensões sociais que, então, se viviam. A escola que frequentava era mista. O edifício era um ícone da tipologia que caracterizava as construções do Estado Novo; a gestão e administração escolar não fugiam ao controle severo da ideologia que sustentava o regime: era o tempo do Estado Novo e do Director Escolar! A escola: entrávamos na porta principal do edifício e, de imediato, ingressávamos num enorme hall, que demarcava as possibilidades de circulação no seu interior e que, por sua vez, impedia o acesso a dois corredores que permitiam a circulação pelos três pisos existentes: pelo corredor do lado direito estavam autorizadas a circular as raparigas; o do lado esquerdo destinava-se à circulação dos rapazes mas, logo que nele se entrava, deparávamo-nos com um bengaleiro, que era u...